• 15.mai.2016

    Dilma e o presidencialismo de coalizão

    Dilma deixou o Planalto sem atender Eduardo Suplicy.

    http://epoca.globo.com/tempo/expresso/noticia/2016/05/dilma-deixara-planalto-sem-atender-suplicy.html

    A arrogância de Dilma foi tamanha, até com os próprios correligionários… O presidencialismo de coalizão não funciona com uma chefe do Executivo extremamente centralizadora e arrogante. O presidencialismo de coalizão pressupõe o poder compartilhado. Pressupõe a coordenação da agenda de igual para igual. Somado ao seu viés centralizador, veio o déficit fiscal, o aumento da inflação e do desemprego, a crise econômica, a consequente queda na popularidade da presidente e uma agenda de ajuste fiscal que queria que o Legislativo aprovasse a volta da CPMF. Um contexto que dá todos os indícios da dinâmica centrífuga do apoio do Legislativo. A presidente Dilma colheu o que plantou. A forma como foi feito o processo de impeachment é cheia de controvérsias. A cobertura festiva e enviesada da mídia é alarmante. E a entrada do PMDB no poder, apesar de inspirar confiança no campo econômico, aponta, por outro lado, retrocessos a perder de vista no campo social, no campo do direito das minorias e talvez até no fortalecimento democrático institucional que temos acompanhado – como a Lei Anticorrupção que entrou em vigor em 2014. Vem aí novos tempos na política, uma nova coalizão, uma nova agenda de ajuste fiscal e permanece a constante dos avanços e retrocessos. Tratando-se do PMDB e seu fisiologismo histórico, não há motivos para comemorações.

    Postado em 15 de maio de 2016
  • 7.mai.2016

    Maniqueísmo e Existencialismo – Por Faethon Leoni

    O presente texto traz uma rica contribuição sobre dois conceitos aqui relacionados: maniqueísmo e existencialismo. O texto é de autoria de Faethon Leoni, graduando do curso de Direito.

    Um filósofo antigo falava “conhece-te a ti mesmo” (Sócrates) mas com o passar do tempo e o pessimismo existencialista contemporâneo chegou a outro aforismo que em antítese pergunta ” quem tu és” (Nietzsche). Muitos criticam a filosofia, alguns podem a considerar pseudociência ou algo inválido no entanto se esquecem de que não são as respostas que a ciência acha só que importam, mas as perguntas também. Hodiernamente vive-se uma era de comunicação e informação rápida e um dualismo ideológico imenso, quase um maniqueísmo barroco de ideologias, no entanto as pessoas esquecem do caminho do meio, ou do equilíbrio de ideias. Vivenciamos uma grande crise onde só há dois lados na moeda e as pessoas costumam apenas reconhecer o seu. Humanas ou exatas? Coxinha ou mortadela? Azul ou vermelho? Eu diria que a Guerra Fria nunca acabou, pois seu legado de um mundo polarizado ainda perdura, ou melhor, esse fenômeno acontece muito antes dela. Então o que estamos pensando aqui não é necessariamente uma solução, mas pretendo ajudar a quem quer que leia isso a ter um olhar mais amplo de todas as situações e não julgar a partir de meias palavras. Primeiramente, a mídia não é aliada nem inimiga, mas uma ferramenta que atende aos ideais ideológicos de quem a mantem, nas palavras de George Orwell – “a marca mantém a mídia, a mídia controla a massa e a massa mantém a marca”.

    Esse pensamento me veio ao observar fatos do crescimento do feminismo e do fenômeno político contemporâneo, entre outros… Como se pode observar na história, em épocas de revoluções costumam haver dois grupos de interesse principais que defendem o que ao seu ver é a forma correta de ideologia a ser seguida. Eles lutam por interesses e acabam ou chegando a um acordo que prejudique o menos possível, ou entram em conflitos que podem ocasionar terror, golpes, eventuais guerras civis ou como aconteceram, As Grandes Guerras. Fica empiricamente comprovado que discriminamos “por natureza”, separamos ocidente e oriente, nativos e colonos, negros e branco, homens e mulheres, adultos e crianças. Para onde se olha há esse jogo de contrários, ou melhor, colocando  diferenças. Todos os movimentos sociais que a sociedade vem tendo são respostas ao que podemos chamar de uma discriminação negativa e do preconceito, ou seja contra uma sociedade patriarcal machista vem o feminismo, contra o racismo tem o movimento negro, entre outros. Como podemos notar existe um grande preconceito contra nativos e até contra estrangeiros em várias partes do mundo. Como é possível ser observado em certos fenômenos políticos como D. Trump, J. Bolsonaro que representam uma direita ultrapassada que, por sua vez, é criticada por uma esquerda revolucionária. Afinal existe um certo e um errado? Ou são apenas jogos de interesse? Como supracitado isso é mais uma herança das guerras. Na nossa sociedade vivemos um tipo de darwinismo ideológico onde o que mais se adapta convence melhor, não é necessariamente o que foi para um extremo mas sim aquele que sabe conciliar uma ideia que junte o maior número de adeptos a sua ideia ou ideais.

     

    Postado em 7 de maio de 2016
  • 14.fev.2016

    Cidadania no Brasil: O longo caminho de José Murilo de Carvalho

    Cidadania no Brasil

    O livro de José Murilo de Carvalho retoma o tema cidadania nos levando ao entusiasmo da abertura democrática pós ditadura militar, com a promulgação da Constituição Cidadã, nos revelando uma grande ressalva: a ingenuidade do entusiasmo inicial.

    “Havia a crença de que a democratização das instituições traria rapidamente a felicidade nacional. Pensava-se que o fato de termos reconquistado o direito de eleger nossos prefeitos, governadores e presidente da República seria garantia de liberdade, de participação, de segurança, de desenvolvimento, de emprego, de justiça social.” (CARVALHO, 2004, p. 7)

    Alguns anos já se passaram e esse entusiasmo inicial também passou, hoje enfrentamos um cenário de sensações bastante diversas quando o tema é política no Brasil, há uma imensa relação que se faz entre a política e a politicagem. Aquela ingenuidade da redemocratização já foi transfigurada e hoje percebemos que há muito ainda que ser feito em termos de cidadania e aí cabe o subtítulo do livro “o longo caminho”.

    Mas vamos entender um pouco mais qual o caminho que fizemos até aqui, entender esse percurso poderá nos ajudar a prosseguir nessa longa jornada.

    Para começar, vamos entender que conceito é esse que chamamos cidadania. A cidadania é um conceito que engloba várias dimensões de direitos: os direitos civis, políticos e sociais.

    Os direitos civis

    Os direitos civis são os mais básicos, os direitos de primeira geração, primeiros garantidores de uma vida em sociedade. São também conhecidos como direitos negativos e ligados às liberdades individuais. Dentre eles podemos citar: o direito à vida, à propriedade, à garantia de ir e vir, de manifestar o pensamento, de acesso à justiça, à justiça independente, entre outros.

    Os direitos políticos

    Estes se referem à participação do cidadão no governo da sociedade: direito de votar, de ser votado, de organizar partidos, de um parlamento livre e representativo, entre outros.

    Os direitos sociais

    Segundo José Murilo de Carvalho (2004, p. 10):

    Se os direitos civis garantem a vida em sociedade, se os direitos políticos garantem a participação no governo da sociedade, os direitos sociais garantem a participação na riqueza coletiva. Eles incluem o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, à aposentadoria. A garantia de sua vigência depende da existência de uma eficiente máquina administrativa do Poder Executivo. (…) Os direitos sociais permitem às sociedades politicamente organizadas reduzir os excessos de desigualdade produzidos pelo capitalismo e garantir um mínimo de bem-estar para todos. A ideia central em que se baseiam é a da justiça social.

    A sequência dos direitos 

    O autor que desenvolveu a distinção entre as várias dimensões da cidadania, T. A. Marshall, sugeriu também que ela, a cidadania, se desenvolveu na Inglaterra com muita lentidão. Primeiro vieram os direitos civis, no século XVIII. Depois, no século XIX, surgiram os direitos políticos. Finalmente, os direitos sociais foram conquistados no século XX. Segundo ele, não se trata de uma sequência apenas cronológica: ela é também lógica. Foi com base no exercício dos direitos civis, nas liberdades civis, que os ingleses reivindicaram o direito de votar, de participar do governo de seu país. A participação permitiu a eleição de operários e a criação do Partido Trabalhista, que foram os responsáveis pela introdução dos direitos sociais.

    O percurso inglês foi apenas um entre outros. A França, a Alemanha, os Estados Unidos, cada país seguiu seu próprio caminho. O Brasil não é exceção.

    E como foi a sequência dos direitos no Brasil?

    Segundo o autor, se compararmos com a Inglaterra, a sequência dos direitos no Brasil foi invertida!

    “A cronologia e a lógica da sequência descrita por Marshall foram invertidas no Brasil. Aqui, primeiro vieram os direitos sociais, implantados em período de supressão dos direitos políticos e de redução dos direitos civis por um ditador que se tornou popular. Depois vieram os direitos políticos, de maneira também bizarra. A maior expansão do direito do voto deu-se em outro período ditatorial, em que os órgãos de representação política foram transformados em peça decorativa do regime. Finalmente, ainda hoje muitos direitos civis, a base da sequência de Marshall, continuam inacessíveis à maioria da população. A pirâmide dos direitos foi colocada de cabeça para baixo.” (CARVALHO, 2004, p. 219 e 220)

    Qual a consequência dessa pirâmide invertida dos direitos no Brasil?

    “Uma consequência importante é a excessiva valorização do Poder Executivo. Se os direitos sociais foram implantados em períodos ditatoriais, em que o Legislativo ou estava fechado ou era apenas decorativo, cria-se a imagem, para o grosso da população, da centralidade do Executivo. O governo aparece como o ramo mais importante do poder (…).” (CARVALHO, 2004, p. 221).

    Nessa perspectiva, como os direitos sociais “caíram no colo” criou-se uma espécie de cultura política em que se espera que as coisas sejam resolvidas de cima pra baixo. Cria-se uma passividade e a espera de que as coisas sejam resolvidas, sem a perspectiva daquele que espera de que ele também faz parte do processo político. O processo político seria deslocado somente para o externo e para uma espera de que alguém irá fazer o que tem que ser feito. O cidadão nesse sentido fica desempoderado, como uma criança que depende de um adulto para fazer por ela na vida em sociedade.

    E as expectativas ficam centralizadas no Executivo nacional: “Ligada à preferência pelo Executivo está a busca por um messias político, por um salvador da pátria.” (Carvalho, 2004, p. 221).  Nesse sentido há uma valorização muito maior das eleições do Executivo nacional em detrimento às eleições das outras esferas federais e dos Legislativos. Há também um desconhecimento/desinteresse/desinformação do funcionamento inter e intragovernamental, de modo que todos os problemas do país passam a ser projetados na figura da(o) presidente. Problemas que seriam da alçada de outras esferas federais ou de outro ramo de Poder são sempre relacionados com o Executivo federal criando-se uma análise de contexto desconectada da realidade.

    Essa cultura de valorização do Executivo e com alto teor de passividade do cidadão frente o Estado cria o que o autor chama de “estadania”, em contraste com a cidadania.

    Esse diagnóstico faz sentido para você? E agora, como sair disso?

    Esse talvez seja o grande desafio da nossa democracia. Como fazer para que saiamos desse contexto de passividade da estadania para uma cidadania plena?

    “Há ainda entre nós muito espaço para o aperfeiçoamento dos mecanismos institucionais de representação.” (CARVALHO, 2004, p.227)

    “A inversão da sequência dos direitos reforçou entre nós a supremacia do Estado. Se há algo importante a fazer em termos de consolidação democrática, é reforçar a organização da sociedade para dar embasamento social ao político, isto é, para democratizar o poder. A organização da sociedade não precisa e não deve ser feita contra o Estado em si. Ela deve ser feita contra o Estado clientelista, corporativo, colonizado.”  (CARVALHO, 2004, p.227)

    Ao longo do livro observa-se o quanto o autor destaca a importância da educação popular como importante requisito para a ampliação de outros direitos. O autor também destaca que a cultura do consumo é uma das principais causas da divisão dos brasileiros em castas separadas pela educação; pela renda e pela cor. A gritante desigualdade social seria o principal entrave para a realização da cidadania no Brasil. Nas palavras do autor, a desigualdade social brasileira é um câncer que impede a constituição de uma sociedade democrática.  É um câncer que corrói nossa sociedade como a escravidão em outros tempos.

    Além destas saídas vislumbradas, quais propostas você traria para passarmos da estadania à cidadania?

    Hoje vemos que uma cidadania plena depende também de uma mudança interna de perspectiva dos próprios brasileiros. E você, como você acha que isso serve pra você? Em que sentido a leitura de José Murilo de Carvalho poderia mudar a sua perspectiva sobre o seu exercício de cidadania?

    Não ofereço receita da cidadania. Também não escrevo para especialistas. Faço convite a todos os que se preocupam com a democracia para uma viagem pelos caminhos tortuosos que a cidadania tem seguido no Brasil. Seguindo-lhe o percurso, o eventual companheiro ou companheira de jornada poderá desenvolver visão própria do problema. Ao fazê-lo, estará exercendo sua cidadania.” (CARVALHO, 2004, p. 13)

    Boas reflexões!!!

    Citações: CARVALHO. José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo Caminho. 5ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

    Postado em 14 de fevereiro de 2016
  • 28.set.2014

    A História está longe de ter chegado ao fim

    Excelente artigo de hoje no Estadão:

    http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,a-historia-esta-longe-de-ter-chegado-ao-fim-imp-,1567372

    Postado em 28 de setembro de 2014
  • 28.mar.2013

    Feliciano, se joga!

    Feliciano, você fez um grande favor à nossa sociedade. Você personificou o que há de mais arcaico e que precisa ser superado e por isso se tornou algo como o vilão do momento. Assim, você possibilitou que alguns temas ganhassem destaque, diante da esquizofrenia que é você estar à frente da CDH.

    Agora, vamos falar sério. Você é um pastor que diz representar Jesus. Jesus foi um dos caras mais revolucionários do seu tempo, não deixou que julgassem uma mulher e atirassem pedra nela. Você não representa Jesus, você é um pastor de pessoas tão intolerantes e sociopatas quanto você. Os fiéis que seguem um homem racista e homofóbico não têm senso crítico, tipo aquelas pessoas que seguiam o Führer, imersas numa desumanidade achando que estavam fazendo um favor à humanidade.

    Vá se tratar meu filho, ou peça para o seu motorista da Câmara estacionar ali na Ponte JKaus e pula. Mas peça para ele levá-lo, de preferência, numa carruagem, combina mais com o seu estilo arcaico. Ou então, se joga na terapia, porque, pra mim, você e o Bolsonaro fazem a linha de enrustidos que não se aceitam e ficam causando por aí. Saia do armário, sua louca, e seja feliz!

    P.S.: Ainda bem que no meio desse furacão da CDH teremos, em contraponto, um show do Ney Matogrosso esse fim de semana em Brasília. Morra de inveja Bolsonaro.

    Postado em 28 de março de 2013
  • 22.set.2012

    Ficção e realidade

    “El gobierno requiere hacer creer. Hacer creer que el rey es divino, (…). Hacer creer que el pueblo tiene voz o hacer creer que los representantes del pueblo son el pueblo.”

    Morgan, 1988 pp. 13-14 citado por Przeworki, 2010: Qué esperar de la democracia: límites y posibilidades del autogobierno,  p.  47.

    Postado em 22 de setembro de 2012
  • 5.dez.2011

    A arte de defrontar o pensamento com a escolha de um meio cognoscível

    A díade é uma armadilha limitante, senão em todas as formas de pensamento, no pensar a realidade política brasileira nesse instante.

    Não nos cabe uma análise simplista que paira sobre uma dicotomia rasa, maniqueísta, primária.  Ver a conjuntura política brasileira sob prismas de movimentos taxados como o bom versus o ruim, no qual o PT ou o PSDB representam tudo o que há de bom ou tudo o que há de ruim é uma visão que parte de um pensamento primário, infantil, e mais uma vez raso. O cenário é mais complexo e uma discussão em torno dos respectivos programas e prioridades de cada linha se faz necessário. Há estruturas que não serão modificadas, áreas de status quo que não chegarão a ser sequer tocadas. Não há grandes polarizações tanto no cenário internacional como nacional para que mudanças de governo representem mudanças muito significativas.

    Mesmo que haja ajustes em alguns setores econômicos e sociais eles se dão a passos lentos, processuais. O que há entre as plataformas são diferenças de prioridades. Mas uma prioridade estar elencada em primeiro plano não significa que outras prioridades não configurarão em pano de fundo.

    A ilusão de que a corrupção está em um partido e não em outros também é pueril.

    Há corrupção em qualquer governo, de qualquer partido, porque a corrupção é intrínseca à politicagem, que, por sua vez, está inscrita dentro e fora da arena política. O que é relevante sobre a corrupção é que ela está sendo cada vez mais desvelada. Não é a corrupção que aumentou, são os mecanismos de reconhecimento e publicidade da corrupção que aumentaram. Isso se deve a um aparato estatal mais preparado (Tribunais de Contas, Polícia Federal, CGU, etc) e a uma revista que tem apresentado denúncias.

    —- ***—-

    Sobre essa revista abro um parêntesis e um questionamento: Tal revista seria mais independente do que as outras por não receber qualquer financiamento público e até por isso, diferentemente das outras, tem tantas propagandas em seu interior. Por ser independente do financiamento público, essa revista tem se mostrado veículo de denúncias de corrupção ligadas ao governo.

    No Brasil a denúncia de corrupção pela mídia é muito vantajosa, pois há, constitucionalmente, por um lado, a vedação ao anonimato, mas por outro lado, resguarda-se o sigilo da fonte em reportagens jornalísticas. Nesse ponto, por uma posição declaradamente contrária ao partido do governo tal revista tem sido veículo de denúncias. A pergunta que se faz é: Se a oposição virar governo tal revista continuará fazendo o papel de veículo de denúncias de corrupção?

    —- ***—-

    Os governos no século XXI têm diferentes prioridades, mas isso não é o suficiente para taxá-los como vilões e mocinhos como muitos veículos de mídia e pessoas o fazem.

    Essa visão dicotômica tão polarizada de algumas pessoas/jornalistas/pensadores/professores ao meu ver só pode ser uma herança mal resolvida de formação intelectual/processo educacional da época da Guerra Fria que só será superada pelas próximas gerações que não terão esse ranço bipolarizante.

    A realidade é muito mais complexa do que taxar um governo como corrupto e ruim e outro como bom e eficiente. Há coisas boas e ruins em todos os governos e características que se assemelham muito nos governos de quaisquer partidos cerceados pelo sistema do presidencialismo de coalizão brasileiro.

    Se a corrupção tem se tornado mais perceptível e transparente aos cidadãos espera-se não só que esse ganho seja mantido, mas que se dê o próximo passo: a superação da impunidade no Brasil, para que as peças impunes do jogo político não continuem voltando ao tabuleiro em posições diferentes.

    Pensar o governo e a oposição como vilões e mocinhos gera uma cortina de fumaça limitante à reflexão da realidade a qual estamos inseridos. É preciso defrontar o pensamento com a escolha de um meio cognoscível.

    Postado em 5 de dezembro de 2011
  • 5.dez.2011

    Pesquisa da UnB ajudará a melhorar o portal da Câmara

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

    Uma pesquisa já em andamento, desenvolvida pela Universidade de Brasília (UnB), ajudará a Câmara dos Deputados a melhorar o portal da Casa na internet. O objetivo do levantamento é avaliar melhor os serviços oferecidos aos cidadãos e mapear o perfil dos usuários do portal.

    Segundo a coordenadora do Comitê Gestor do Portal da Câmara, Iara Beltrão, quem responder à pesquisa vai poder opinar sobre o que pode ser melhorado e o que pode ser incluído no portal. Ela explica que a pesquisa também vai revelar qual o maior interesse do usuário.

    “Que tipo de informação. Se é, por exemplo, informação sobre a atuação do parlamentar, se é sobre algum projeto que está sendo votado na Câmara, se é sobre a tramitação de alguma outra proposição, notícias que são veiculadas. Então, a intenção é a gente conhecer um pouco mais sobre o que as pessoas buscam quando entram no portal da Câmara”, explica.

    Internet e política
    O cientista politico e pesquisador da UnB Max Stabile estuda há vários anos a influência da internet no ambiente político. De acordo com ele, o portal da Câmara é hoje um dos melhores do mundo. E é a partir desse pressuposto que a pesquisa vai avaliar a opinião do cidadão sobre o portal.

    Para o pesquisador, é muito importante que a população participe do levantamento. “Eu gostaria que todos os cidadãos que acessam o portal da Câmara que entrassem e respondessem à pesquisa. Ela será muito importante”, defende.

    Na opinião de Stabile, a pesquisa pode ter resultados inovadores, que serão importantes não apenas para o Comitê Gestor do portal, como também para pesquisadores e professores que estudam a democracia no meio digital.

    Participação
    Os resultados da pesquisa devem ser divulgados no segundo trimestre de 2012. Os interessados podem participar clicando aqui.

    Reportagem – Idhelene Macedo
    Edição – Juliano Pires

    Agência Câmara de Notícias

    Postado em 5 de dezembro de 2011
  • 26.out.2011

    Polícia entra em confronto com manifestantes do “Ocupe Oakland” nos EUA

    Fonte: Folha.com

    26/10/2011 – 04h20

    Policiais e manifestantes entraram em confronto na noite de terça-feira (horário local) em Oakland, na Califórnia, durante um protesto em resposta à repressão realizada horas antes contra um acampamento local do movimento “Ocupe Wall Street”.

    Cerca de mil pessoas estavam reunidas em frente à sede da prefeitura, na praça Frank Ogawa, quando os choques tiveram início.

    Policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo para conter a multidão.

    Kimihiro Hoshino/France Presse

    Manifestantes socorrem colega atingido por bomba de gás lacrimogêneo

    Testemunhas citadas pela agência Reuters informaram que dezenas de pessoas foram detidas durante a manifestação. O departamento de polícia de Oakland não quis se pronunciar sobre o caso.

    Durante a manhã de terça, policiais dispersaram os cerca de 350 manifestantes que acampavam na praça Frank Ogawa há duas semanas.

    Houve tumulto durante a retirada forçada dos manifestantes e ao menos 85 pessoas foram detidas.

    A prefeitura informou em comunicado que havia advertido na quinta-feira passada os manifestantes para que não acampassem mais na praça. Outros avisos foram emitidos na sexta e segunda-feira.

    Segundo a prefeitura, as manifestações serão permitidas apenas durante o dia no local.

    Ben Margot/Associated Press


    Vista de barracas em acampamento do “Ocupe Oakland” em frente à Prefeitura da cidade, no Estado da Califórnia

    OCUPE WALL STREET

    O protesto era uma versão do movimento lançado há mais de um mês em Nova York, chamado “Ocupe Wall Street”. As manifestações se concentram na indignação provocada pela ajuda do governo a grandes bancos e ao alto índice de desemprego persistente.

    Centenas de manifestantes foram presos em Nova York desde o início dos protestos. Houve também prisões em outras cidades norte-americanas.

    Na semana passada, a polícia de Chicago prendeu 130 manifestantes em Grant Park, local de manifestações durante a convenção democrata de 1968, e outras 15 pessoas em um protesto na Filadélfia.


    Postado em 26 de outubro de 2011
  • 21.out.2011

    Occupy Wall Street – Leaderless, consensus-based participatory democracy and its discontents

    Da sessão Democracy in America da The Economist

    OCCUPY WALL STREET is not only a mass protest movement intended to draw attention to economic injustice and political corruption. It seeks to embody and thereby to demonstrate the feasibility of certain ideals of participatory democracy. This is, to my mind, what makes OWS so interesting, and so unlike a tea-party protest. OWS is not simply a group of like-minded people gathered together to make a point with a show of collective force, though it is that. The difference is that it has developed into an ongoing micro-society with a micro-government that directly exemplifies a principled alternative to the prevailing American order. The complaint that OWS has failed to produce a coherent list of demands seems to me to miss much of the point of the encampment in Zuccotti Park. The demand is a society more like the little one OWS protestors have mocked up in the park. The mode of governance is the message.

    And what is the message of the “General Assembly”, the governing body of the original financial-district occupation? According its wbsite :

    New York City General Assemblies are an open, participatory and horizontally organized process through which we are building the capacity to constitute ourselves in public as autonomous collective forces within and against the constant crises of our times.

    Got that? If this sounds a bit academic, that’s because it is. Whether you’re having trouble parsing this or not, this piece by Dan Berrett on the academic roots of OWS’s governing ideology is incredibly helpful.

    Mr Berrett focuses on the influence of David Graeber, “an ethnographer, anarchist, and reader in anthropology at the University of London’s Goldsmiths campus.” Mr Graeber was impressed by the people of Betafo, in Madagascar, who ruled themselves through a process of “consensus decision-making” demonstrating the left-anarchist ideal of “democracy without government”. Mr Graeber applied what he learned in his ethnographic work in some of the left-wing anti-globalisation protests of the 1990s, and has now brought his experience to bear on Wall Street, laying the groundwork for OWS’s experiment in participatory democracy. As Mr Berrett reports:

    Soon after the magazine Adbusters published an appeal to set up a “peaceful barricade” on Wall Street, Mr. Graeber spent six weeks in New York helping to plan the demonstrations before an initial march by protesters on September 17, which culminated in the occupation.

    Spontaneous order can take a bit of planning. But it seems Mr Graeber’s planning has born fruit:

    The defining aspect of Occupy Wall Street, its emphasis on direct action and leaderless, consensus-based decision-making, is most clearly embodied by its General Assembly, in which participants in the protest make group decisions both large and small, like adopting principles of solidarity and deciding how best to stay warm at night.

    This intensive and egalitarian process is important both procedurally and substantively, Mr. Graeber says. “One of the things that revolutionaries have learned over the course of the 20th century is that the idea of the ends justifying the means is deeply problematic,” he says. “You can’t create a just society through violence, or freedom through a tight revolutionary cadre. You can’t establish a big state and hope it will go away. The means and ends have to be the same.”

    When 2,000 people make a decision jointly, it is an example of direct action, or direct democracy, Mr. Graeber says. “It makes you feel different to go to a meeting where your opinions are really respected.” Or, as an editorial in the protest’s house publication, Occupied Wall Street Journal, put it, “This occupation is first about participation.”

    It is hard to deny the romance of this, and part of me would like to camp out in Zuccotti Park and pitch in. But I wouldn’t expect it to last. Not only is it hard to see how this worthwhile little experiment in leaderless, consensus-based decision-making is a realistic means to the end of a whole society governed by leaderless, consensus-based decision-making, it’s hard see why this is a desirable end.

    Because the participatory democracy of OWS is an ideological endeavour, it can avoid the hard problem of liberal society: the ineradicable diversity of moral belief and the impossibility of consensus. Consensus-based communes composed of individuals who opt in specifically because they already agree with the commune’s founding values can work precisely because the people who would make consensus impossible—people with very different opinions and values—stay away. But not only does the OWS experiment skirt the problem of pluralism through self-selection, the ideological homogeneity of self-selection may make deliberation tend toward extremism, as Cass Sunstein´s important work on deliberation and group polarisation shows. He writes: “When like-minded people are participating in ‘iterated polarization games’—when they meet regularly, without sustained exposure to competing views—extreme movements are all the more likely.”

    Even given a climate of ideological similarity, this mode of communal egalitarian living doesn’t tend to scale up well beyond a few hundred people, and requires intense and often invasive surveillance and monitoring to minimise free-riding, as well as heavy communal pressure to maintain the kind of conformity of belief necessary to maintain ongoing consensus. This is not, to my mind, a beautiful dream. Anyway, insofar as people are serious about it, egalitarian participatory democracy points in the direction of radical decentralisation and hyper-local control. The immense scope and diversity of the American territory and population, as well as the vast scale of the American state and the number and complexity of its activities, are fundamentally incompatible with the kind of society now being performed by the romantics in Zuccotti Park.

    Moreover, direct deliberative democracy by its very nature puts effective power disproportionately in the hands of extroverted, energetic, and charismatic individuals with a knack for persuasion. The opinions of introverts and those of us who need a good deal of time to mull things over tend not to be fully included into the decision-making process. So these people (most of us, I think) must go along, their views systematically underrepresented until the rule of the pushy yammerers becomes too intolerable and they leave. Exit is more powerful than voice if voice is not your strong suit.

    There is a great deal wrong with American governance, and not only within government. I think that the concentrated management and diffuse ownership of public corporations has left a relatively small numbers of corporate managers with insufficiently checked control over trillions of other people’s property. And I think that the relatively unchecked power of government to make or break fortunes has made it more or less inevitable that corporations would in time end up writing their own regulations to their own advantage. Occupy Wall Street is a great boon to the extent that it helps draw attention and build effective opposition to the unjust mechanisms of upward redistribution and to the many flaws in our political economy responsible for the disproportionate influence of the wealthy and powerful over the rules that profoundly affect us all. However, insofar as OWS is meant to persuade Americans to adopt a wholly different and better way to live with one another, it is bound to fail. Even if consensus-based, leaderless participatory democracy could work on a grand scale, Americans aren’t interested. And face it: sooner or later, Brookfield Properties is going to get it’s park back. So for those deeply committed to realising a lasting community governed by the ideals of OWS, let me recommend a seastead.

    OCCUPY WALL STREET is not only a mass protest movement intended to draw attention to economic injustice and political corruption. It seeks to embody and thereby to demonstrate the feasibility of certain ideals of participatory democracy. This is, to my mind, what makes OWS so interesting, and so unlike a tea-party protest. OWS is not simply a group of like-minded people gathered together to make a point with a show of collective force, though it is that. The difference is that it has developed into an ongoing micro-society with a micro-government that directly exemplifies a principled alternative to the prevailing American order. The complaint that OWS has failed to produce a coherent list of demands seems to me to miss much of the point of the encampment in Zuccotti Park. The demand is a society more like the little one OWS protestors have mocked up in the park. The mode of governance is the message.

    And what is the message of the “General Assembly”, the governing body of the original financial-district occupation? According its website:

    New York City General Assemblies are an open, participatory and horizontally organized process through which we are building the capacity to constitute ourselves in public as autonomous collective forces within and against the constant crises of our times.

    Got that? If this sounds a bit academic, that’s because it is. Whether you’re having trouble parsing this or not, this piece by Dan Berrett on the academic roots of OWS’s governing ideology is incredibly helpful.

    Mr Berrett focuses on the influence of David Graeber, “an ethnographer, anarchist, and reader in anthropology at the University of London’s Goldsmiths campus.” Mr Graeber was impressed by the people of Betafo, in Madagascar, who ruled themselves through a process of “consensus decision-making” demonstrating the left-anarchist ideal of “democracy without government”. Mr Graeber applied what he learned in his ethnographic work in some of the left-wing anti-globalisation protests of the 1990s, and has now brought his experience to bear on Wall Street, laying the groundwork for OWS’s experiment in participatory democracy. As Mr Berrett reports:

    Soon after the magazine Adbusters published an appeal to set up a “peaceful barricade” on Wall Street, Mr. Graeber spent six weeks in New York helping to plan the demonstrations before an initial march by protesters on September 17, which culminated in the occupation.

    Spontaneous order can take a bit of planning. But it seems Mr Graeber’s planning has born fruit:

    The defining aspect of Occupy Wall Street, its emphasis on direct action and leaderless, consensus-based decision-making, is most clearly embodied by its General Assembly, in which participants in the protest make group decisions both large and small, like adopting principles of solidarity and deciding how best to stay warm at night.

    This intensive and egalitarian process is important both procedurally and substantively, Mr. Graeber says. “One of the things that revolutionaries have learned over the course of the 20th century is that the idea of the ends justifying the means is deeply problematic,” he says. “You can’t create a just society through violence, or freedom through a tight revolutionary cadre. You can’t establish a big state and hope it will go away. The means and ends have to be the same.”

    When 2,000 people make a decision jointly, it is an example of direct action, or direct democracy, Mr. Graeber says. “It makes you feel different to go to a meeting where your opinions are really respected.” Or, as an editorial in the protest’s house publication, Occupied Wall Street Journal, put it, “This occupation is first about participation.”

    It is hard to deny the romance of this, and part of me would like to camp out in Zuccotti Park and pitch in. But I wouldn’t expect it to last. Not only is it hard to see how this worthwhile little experiment in leaderless, consensus-based decision-making is a realistic means to the end of a whole society governed by leaderless, consensus-based decision-making, it’s hard see why this is a desirable end.

    Because the participatory democracy of OWS is an ideological endeavour, it can avoid the hard problem of liberal society: the ineradicable diversity of moral belief and the impossibility of consensus. Consensus-based communes composed of individuals who opt in specifically because they already agree with the commune’s founding values can work precisely because the people who would make consensus impossible—people with very different opinions and values—stay away. But not only does the OWS experiment skirt the problem of pluralism through self-selection, the ideological homogeneity of self-selection may make deliberation tend toward extremism, as Cass Sunstein’s important work on deliberation and group polarisation shows. He writes: “When like-minded people are participating in ‘iterated polarization games’—when they meet regularly, without sustained exposure to competing views—extreme movements are all the more likely.”

    Even given a climate of ideological similarity, this mode of communal egalitarian living doesn’t tend to scale up well beyond a few hundred people, and requires intense and often invasive surveillance and monitoring to minimise free-riding, as well as heavy communal pressure to maintain the kind of conformity of belief necessary to maintain ongoing consensus. This is not, to my mind, a beautiful dream. Anyway, insofar as people are serious about it, egalitarian participatory democracy points in the direction of radical decentralisation and hyper-local control. The immense scope and diversity of the American territory and population, as well as the vast scale of the American state and the number and complexity of its activities, are fundamentally incompatible with the kind of society now being performed by the romantics in Zuccotti Park.

    Moreover, direct deliberative democracy by its very nature puts effective power disproportionately in the hands of extroverted, energetic, and charismatic individuals with a knack for persuasion. The opinions of introverts and those of us who need a good deal of time to mull things over tend not to be fully included into the decision-making process. So these people (most of us, I think) must go along, their views systematically underrepresented until the rule of the pushy yammerers becomes too intolerable and they leave. Exit is more powerful than voice if voice is not your strong suit.

    There is a great deal wrong with American governance, and not only within government. I think that the concentrated management and diffuse ownership of public corporations has left a relatively small numbers of corporate managers with insufficiently checked control over trillions of other people’s property. And I think that the relatively unchecked power of government to make or break fortunes has made it more or less inevitable that corporations would in time end up writing their own regulations to their own advantage. Occupy Wall Street is a great boon to the extent that it helps draw attention and build effective opposition to the unjust mechanisms of upward redistribution and to the many flaws in our political economy responsible for the disproportionate influence of the wealthy and powerful over the rules that profoundly affect us all. However, insofar as OWS is meant to persuade Americans to adopt a wholly different and better way to live with one another, it is bound to fail. Even if consensus-based, leaderless participatory democracy could work on a grand scale, Americans aren’t interested. And face it: sooner or later, Brookfield Properties is going to get it’s park back. So for those deeply committed to realising a lasting community governed by the ideals of OWS, let me recommend a seastead.

    Postado em 21 de outubro de 2011
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