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  • 7.mai.2016

    Maniqueísmo e Existencialismo – Por Faethon Leoni

    O presente texto traz uma rica contribuição sobre dois conceitos aqui relacionados: maniqueísmo e existencialismo. O texto é de autoria de Faethon Leoni, graduando do curso de Direito.

    Um filósofo antigo falava “conhece-te a ti mesmo” (Sócrates) mas com o passar do tempo e o pessimismo existencialista contemporâneo chegou a outro aforismo que em antítese pergunta ” quem tu és” (Nietzsche). Muitos criticam a filosofia, alguns podem a considerar pseudociência ou algo inválido no entanto se esquecem de que não são as respostas que a ciência acha só que importam, mas as perguntas também. Hodiernamente vive-se uma era de comunicação e informação rápida e um dualismo ideológico imenso, quase um maniqueísmo barroco de ideologias, no entanto as pessoas esquecem do caminho do meio, ou do equilíbrio de ideias. Vivenciamos uma grande crise onde só há dois lados na moeda e as pessoas costumam apenas reconhecer o seu. Humanas ou exatas? Coxinha ou mortadela? Azul ou vermelho? Eu diria que a Guerra Fria nunca acabou, pois seu legado de um mundo polarizado ainda perdura, ou melhor, esse fenômeno acontece muito antes dela. Então o que estamos pensando aqui não é necessariamente uma solução, mas pretendo ajudar a quem quer que leia isso a ter um olhar mais amplo de todas as situações e não julgar a partir de meias palavras. Primeiramente, a mídia não é aliada nem inimiga, mas uma ferramenta que atende aos ideais ideológicos de quem a mantem, nas palavras de George Orwell – “a marca mantém a mídia, a mídia controla a massa e a massa mantém a marca”.

    Esse pensamento me veio ao observar fatos do crescimento do feminismo e do fenômeno político contemporâneo, entre outros… Como se pode observar na história, em épocas de revoluções costumam haver dois grupos de interesse principais que defendem o que ao seu ver é a forma correta de ideologia a ser seguida. Eles lutam por interesses e acabam ou chegando a um acordo que prejudique o menos possível, ou entram em conflitos que podem ocasionar terror, golpes, eventuais guerras civis ou como aconteceram, As Grandes Guerras. Fica empiricamente comprovado que discriminamos “por natureza”, separamos ocidente e oriente, nativos e colonos, negros e branco, homens e mulheres, adultos e crianças. Para onde se olha há esse jogo de contrários, ou melhor, colocando  diferenças. Todos os movimentos sociais que a sociedade vem tendo são respostas ao que podemos chamar de uma discriminação negativa e do preconceito, ou seja contra uma sociedade patriarcal machista vem o feminismo, contra o racismo tem o movimento negro, entre outros. Como podemos notar existe um grande preconceito contra nativos e até contra estrangeiros em várias partes do mundo. Como é possível ser observado em certos fenômenos políticos como D. Trump, J. Bolsonaro que representam uma direita ultrapassada que, por sua vez, é criticada por uma esquerda revolucionária. Afinal existe um certo e um errado? Ou são apenas jogos de interesse? Como supracitado isso é mais uma herança das guerras. Na nossa sociedade vivemos um tipo de darwinismo ideológico onde o que mais se adapta convence melhor, não é necessariamente o que foi para um extremo mas sim aquele que sabe conciliar uma ideia que junte o maior número de adeptos a sua ideia ou ideais.

     

    Postado em 7 de maio de 2016
  • 20.nov.2010

    O debate entre esquerda e direita hoje

    Introdução

    Aqui vai breve resumo da aula que comentei em artigo anterior. As perguntas no final da aula foram de extrema relevância e estão, de alguma forma, aqui inseridas. Agradeço aos alunos que ali estavam, que me mostraram o quanto é possível pessoas dos mais diversos pontos do espectro ideológico conversarem sobre um assunto tão polêmico de forma tão amigável e respeitosa. Fiquei muito feliz pela experiência. Aqui tentei escrever da forma mais compreensível para quem não é da área.

    Esquerda e direita hoje

    No verão de 1989, a revista americana National Interest publicava um ensaio teórico – mais exatamente de filosofia da História – do intelectual nipo-americano Francis Fukuyama sobre os sinais – até então simplesmente anunciadores – do fim da Guerra Fria, cujo título estava destinado a deslanchar um debate ainda hoje controverso: “The End of History?”. Quando o artigo foi escrito por Fukuyama, Gorbachev ainda se debatia para implementar sua glasnost e sua perestroika, mas a capacidade de análise de Fukuyama já apontava o fim da Guerra Fria e a tese do caráter incontornável da democracia de mercado como sendo uma espécie de horizonte insuperável da nossa época.

    No artigo O “Fim da História”, de Fukuyama, vinte anos depois: o que ficou?, Paulo Roberto Almeida chama atenção para o fato de que Fukuyama não fazia uma afirmação peremptória, mas levantava uma hipótese sem caráter terminativo. “O interrogante básico de seu argumento tem a ver com a possibilidade de alternativas credíveis às democracias liberais de mercado, ponto”.

    A tese principal era a de que, durante o século XX, em que houve emergência e declínio dos regimes fascistas e comunistas, de enormes turbulências políticas e de crises econômicas, de contestação intelectual e prática ao liberalismo econômico e político de corte ocidental, o mundo estava retornando ao seu ponto inicial, qual seja o do triunfo inquestionável do sistema liberal ocidental.

    “O socialismo não foi ‘derrotado’ pelo capitalismo, de qualquer forma concreta e visível, ele simplesmente implodiu pela sua absoluta incapacidade de produzir, não mísseis nucleares, mas meias de nylon.” Paulo Roberto Almeida

    Para falar sobre direita e esquerda hoje é preciso situar que a Bipolaridade – ComunismoXCapitalismo – deu lugar a um mundo Multipolar vinte anos após a queda do Muro de Berlim. Muitas pessoas pensam esquerda e direita hoje desconectadas dessa realidade. Para MUITAS PESSOAS o Muro de Berlim ainda não caiu. Professores, Jornalistas, intelectuais, enfim… São os extremos ambos esclerosados e materialistas que serão apresentados logo mais. Os discursos descolados da realidade e da conjuntura mundial são ainda utilizados por aqueles que não tiveram oportunidade ou capacidade intelectual de se atualizar, muitas vezes por comodismo acadêmico ou apego a uma ideologia solta/descolada da realidade. Muitos utilizam também esse discurso não situado no presente como “razão de Estado” para se auto legitimarem no poder. Exemplo: Chávez.

    Segundo Hobsbawn, o comunismo ocidental entrou em colapso de maneira repentina e absoluta. Esse fato teria levado jornalistas, políticos e ideólogos a jogos de soma-zero. Se o comunismo perdeu, então seu antagonista, o capitalismo, deve ter vencido. Se as economias socialistas quebraram, então seu oposto binário, o liberalismo de livre mercado, deve ter triunfado (HOBSBAWN, 1998).

    Ver o mundo escolhendo simplesmente entre duas e apenas duas alternativas políticas (capitalismo ou socialismo) não esclareceria muito.

    Socialistas de todas as variedades deixaram de acreditar na possibilidade de uma não-economia de mercado total e na viabilidade e na conveniência de uma economia estatal de planejamento centralizado do tipo desenvolvido na URSS.

    O debate entre liberais e socialistas seria atualmente, no entanto, não sobre o mercado sem controle versus o Estado que tudo controla:

    “Não é sobre ser a favor ou contra o planejamento econômico, que existe tanto em economias capitalistas como em socialistas – nenhuma grande corporação poderia funcionar sem ele -, e não é ser a favor ou contra a empresa pública ou gerenciada, que até os liberais do mercado sempre aceitaram em princípio. É sobre os limites do capitalismo e do mercado sem o controle da ação pública. Para falar de outra maneira, é sobre os fins da política pública, ou, se preferirem, sobre as prioridades necessárias da ação pública” (HOBSBAWN, 1998, p.223).

    Giddens afirma que as ideologias políticas preexistentes perderam sua ressonância (GIDDENS, 1999, p.11).

    No livro Para Além da Esquerda e da Direita, Giddens destaca que podemos realmente dizer que estão surgindo determinados princípios éticos mais ou menos universais que tendem a unir todas as perspectivas fora dos domínios dos diversos fundamentalismos.

    Existem questões hoje como o meio-ambiente que estão na agenda dos candidatos – como questão universal – não se tratando de uma questão de direita ou esquerda.

    Para resumir e clarear o que foi dito, confira o espectro político-ideológico a seguir:

    [1] Marxismo esclerosado – Segundo Paulo Roberto de Almeida é nas universidades públicas da América Latina onde o marxismo esclerosado ainda consegue uma ridícula sobrevivência.

    [2] Perfeitos materialistas – Escola de Wall Street – Relativiza a importância da ideologia e da cultura e vê o homem como sendo essencialmente um indivíduo racional, maximizador dos lucros. É precisamente esse tipo de indivíduo e sua busca de incentivos materiais que aparece como a base da vida econômica nos manuais de economia.

    Conclusão: o debate entre direita e esquerda passa a girar em torno de questões operacionais entre Mercado e Estado. Até onde vai um e até onde vai o outro.

    Sugestões de leitura

    O livro Nomenklatura – escrito por um dos membros da própria Nomenklatura – espécie de ‘partido/congregação’ que assumiu o poder e a máquina pública quando a Rússia se tornou União Soviética. Aqui é possível fazer tranqüilamente uma analogia com o livro ‘A revolução dos bichos” de George Orwell – A Nomenklatura são os porcos da fábula orwelliana sobre a ‘igualdade’ na fazenda ‘socialista’ dos animais.

    O artigo da Revista EXAME de março de 2010 – Edição 963 – Estado grande ou estado forte? – o artigo traz um diagnóstico sobre a questão do equilíbrio entre mercado e Estado, mas articulando com elementos reais da conjuntura brasileira. Ou seja, já é uma análise concreta e não uma discussão abstrata de conceitos.

    O artigo de Paulo Roberto de Almeida, Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas, diplomata de carreira desde 1977 e um dos maiores intelectuais brasileiros vivos: O “Fim da História”, de Fukuyama, vinte anos depois: o que ficou?. Artigo que norteou, em muito, minha aula e este resumo.

    O próprio artigo de Fukuyama, tão citado The End of History?

    GIDDENS, Anthony. Para além da esquerda e da direita: o futuro da política radical. São Paulo: Ed. Unesp, 1995.

    HOBSBAWN, Eric. “A crise atual das ideologias”. In: SADER, Emir; VASCONCELOS JÚNIOR, José Rossy e. O mundo depois da queda. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1998.

    Para quem assistiu à aula, irá notar que muitas questões foram suprimidas, como:

    i)                    a diferenciação entre Estado homogêneo universal (Hegel; Kojève) X Estado universal homogêneo;

    ii)                  análise materialista e não materialista (infraestruturaXsuperestrutura);

    iii)                questões pós-modernas que fogem ao debate de direita e esquerda.

    Se ficou alguma dúvida ou se quiserem fazer algum comentário, sintam-se a vontade para me mandar e-mail. Aqueles que não são da área e se interessarem também podem enviar e-mail sobre esses pontos: deborah@deborahcelentano.com.br

    Postado em 20 de novembro de 2010
  • 1.set.2010

    Conceitualmente, qual a diferença entre esquerda e direita para você hoje?

     

    Postarei, em breve, breve resumo da aula que dei na UnB para um auditório com 80 alunos presentes, sobre os conceitos de direita e esquerda após a queda do Muro de Berlim. 

    Mais de 20 anos se passaram de lá pra cá. A configuração do mundo mudou. A bipolaridade LestexOeste – ComunismoxCapitalismo deu lugar a um mundo multipolar. Uma nova realidade, com novos conceitos. Fica o espaço, por enquanto, para a sua opinião.

    Postado em 1 de setembro de 2010
Sic