• 12.jul.2011

    Programa sobre a qualidade da nossa democracia

    Nas páginas amarelas da Veja desta semana o entrevistado é o filósofo Luiz Felipe Pondé. Depois de ler, lembrei-me de sua brilhante participação no programa Globo News Debate em janeiro deste ano. O vídeo é de 09.01.2011, mas permanece atual.

    Além do filósofo Luiz Felipe Pondé, professor da PUC-SP e da Fundação Álvares Penteado (Faap) e colunista do jornal Folha de São Paulo; compõem o debate Roberto Romano, professor de ética e filosofia política da Unicamp; e José Arthur Gianotti, professor emérito da USP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). O debate é mediado por William Waack.

    Temas como crise de representatividade, dissociação entre realidade e marketagem política – infantilização do eleitor, reforma política, crise da oposição – do ponto de vista formal, e outros são discutidos inteligentemente.

    Assista, deixe seus comentários!

    Imagem de Amostra do You Tube

    Para você que não conseguir acessar o vídeo pelo site, acesse pelo link

    Postado em 12 de julho de 2011
  • 20.nov.2010

    O debate entre esquerda e direita hoje

    Introdução

    Aqui vai breve resumo da aula que comentei em artigo anterior. As perguntas no final da aula foram de extrema relevância e estão, de alguma forma, aqui inseridas. Agradeço aos alunos que ali estavam, que me mostraram o quanto é possível pessoas dos mais diversos pontos do espectro ideológico conversarem sobre um assunto tão polêmico de forma tão amigável e respeitosa. Fiquei muito feliz pela experiência. Aqui tentei escrever da forma mais compreensível para quem não é da área.

    Esquerda e direita hoje

    No verão de 1989, a revista americana National Interest publicava um ensaio teórico – mais exatamente de filosofia da História – do intelectual nipo-americano Francis Fukuyama sobre os sinais – até então simplesmente anunciadores – do fim da Guerra Fria, cujo título estava destinado a deslanchar um debate ainda hoje controverso: “The End of History?”. Quando o artigo foi escrito por Fukuyama, Gorbachev ainda se debatia para implementar sua glasnost e sua perestroika, mas a capacidade de análise de Fukuyama já apontava o fim da Guerra Fria e a tese do caráter incontornável da democracia de mercado como sendo uma espécie de horizonte insuperável da nossa época.

    No artigo O “Fim da História”, de Fukuyama, vinte anos depois: o que ficou?, Paulo Roberto Almeida chama atenção para o fato de que Fukuyama não fazia uma afirmação peremptória, mas levantava uma hipótese sem caráter terminativo. “O interrogante básico de seu argumento tem a ver com a possibilidade de alternativas credíveis às democracias liberais de mercado, ponto”.

    A tese principal era a de que, durante o século XX, em que houve emergência e declínio dos regimes fascistas e comunistas, de enormes turbulências políticas e de crises econômicas, de contestação intelectual e prática ao liberalismo econômico e político de corte ocidental, o mundo estava retornando ao seu ponto inicial, qual seja o do triunfo inquestionável do sistema liberal ocidental.

    “O socialismo não foi ‘derrotado’ pelo capitalismo, de qualquer forma concreta e visível, ele simplesmente implodiu pela sua absoluta incapacidade de produzir, não mísseis nucleares, mas meias de nylon.” Paulo Roberto Almeida

    Para falar sobre direita e esquerda hoje é preciso situar que a Bipolaridade – ComunismoXCapitalismo – deu lugar a um mundo Multipolar vinte anos após a queda do Muro de Berlim. Muitas pessoas pensam esquerda e direita hoje desconectadas dessa realidade. Para MUITAS PESSOAS o Muro de Berlim ainda não caiu. Professores, Jornalistas, intelectuais, enfim… São os extremos ambos esclerosados e materialistas que serão apresentados logo mais. Os discursos descolados da realidade e da conjuntura mundial são ainda utilizados por aqueles que não tiveram oportunidade ou capacidade intelectual de se atualizar, muitas vezes por comodismo acadêmico ou apego a uma ideologia solta/descolada da realidade. Muitos utilizam também esse discurso não situado no presente como “razão de Estado” para se auto legitimarem no poder. Exemplo: Chávez.

    Segundo Hobsbawn, o comunismo ocidental entrou em colapso de maneira repentina e absoluta. Esse fato teria levado jornalistas, políticos e ideólogos a jogos de soma-zero. Se o comunismo perdeu, então seu antagonista, o capitalismo, deve ter vencido. Se as economias socialistas quebraram, então seu oposto binário, o liberalismo de livre mercado, deve ter triunfado (HOBSBAWN, 1998).

    Ver o mundo escolhendo simplesmente entre duas e apenas duas alternativas políticas (capitalismo ou socialismo) não esclareceria muito.

    Socialistas de todas as variedades deixaram de acreditar na possibilidade de uma não-economia de mercado total e na viabilidade e na conveniência de uma economia estatal de planejamento centralizado do tipo desenvolvido na URSS.

    O debate entre liberais e socialistas seria atualmente, no entanto, não sobre o mercado sem controle versus o Estado que tudo controla:

    “Não é sobre ser a favor ou contra o planejamento econômico, que existe tanto em economias capitalistas como em socialistas – nenhuma grande corporação poderia funcionar sem ele -, e não é ser a favor ou contra a empresa pública ou gerenciada, que até os liberais do mercado sempre aceitaram em princípio. É sobre os limites do capitalismo e do mercado sem o controle da ação pública. Para falar de outra maneira, é sobre os fins da política pública, ou, se preferirem, sobre as prioridades necessárias da ação pública” (HOBSBAWN, 1998, p.223).

    Giddens afirma que as ideologias políticas preexistentes perderam sua ressonância (GIDDENS, 1999, p.11).

    No livro Para Além da Esquerda e da Direita, Giddens destaca que podemos realmente dizer que estão surgindo determinados princípios éticos mais ou menos universais que tendem a unir todas as perspectivas fora dos domínios dos diversos fundamentalismos.

    Existem questões hoje como o meio-ambiente que estão na agenda dos candidatos – como questão universal – não se tratando de uma questão de direita ou esquerda.

    Para resumir e clarear o que foi dito, confira o espectro político-ideológico a seguir:

    [1] Marxismo esclerosado – Segundo Paulo Roberto de Almeida é nas universidades públicas da América Latina onde o marxismo esclerosado ainda consegue uma ridícula sobrevivência.

    [2] Perfeitos materialistas – Escola de Wall Street – Relativiza a importância da ideologia e da cultura e vê o homem como sendo essencialmente um indivíduo racional, maximizador dos lucros. É precisamente esse tipo de indivíduo e sua busca de incentivos materiais que aparece como a base da vida econômica nos manuais de economia.

    Conclusão: o debate entre direita e esquerda passa a girar em torno de questões operacionais entre Mercado e Estado. Até onde vai um e até onde vai o outro.

    Sugestões de leitura

    O livro Nomenklatura – escrito por um dos membros da própria Nomenklatura – espécie de ‘partido/congregação’ que assumiu o poder e a máquina pública quando a Rússia se tornou União Soviética. Aqui é possível fazer tranqüilamente uma analogia com o livro ‘A revolução dos bichos” de George Orwell – A Nomenklatura são os porcos da fábula orwelliana sobre a ‘igualdade’ na fazenda ‘socialista’ dos animais.

    O artigo da Revista EXAME de março de 2010 – Edição 963 – Estado grande ou estado forte? – o artigo traz um diagnóstico sobre a questão do equilíbrio entre mercado e Estado, mas articulando com elementos reais da conjuntura brasileira. Ou seja, já é uma análise concreta e não uma discussão abstrata de conceitos.

    O artigo de Paulo Roberto de Almeida, Doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas, diplomata de carreira desde 1977 e um dos maiores intelectuais brasileiros vivos: O “Fim da História”, de Fukuyama, vinte anos depois: o que ficou?. Artigo que norteou, em muito, minha aula e este resumo.

    O próprio artigo de Fukuyama, tão citado The End of History?

    GIDDENS, Anthony. Para além da esquerda e da direita: o futuro da política radical. São Paulo: Ed. Unesp, 1995.

    HOBSBAWN, Eric. “A crise atual das ideologias”. In: SADER, Emir; VASCONCELOS JÚNIOR, José Rossy e. O mundo depois da queda. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1998.

    Para quem assistiu à aula, irá notar que muitas questões foram suprimidas, como:

    i)                    a diferenciação entre Estado homogêneo universal (Hegel; Kojève) X Estado universal homogêneo;

    ii)                  análise materialista e não materialista (infraestruturaXsuperestrutura);

    iii)                questões pós-modernas que fogem ao debate de direita e esquerda.

    Se ficou alguma dúvida ou se quiserem fazer algum comentário, sintam-se a vontade para me mandar e-mail. Aqueles que não são da área e se interessarem também podem enviar e-mail sobre esses pontos: deborah@deborahcelentano.com.br

    Postado em 20 de novembro de 2010
  • 1.set.2010

    Conceitualmente, qual a diferença entre esquerda e direita para você hoje?

     

    Postarei, em breve, breve resumo da aula que dei na UnB para um auditório com 80 alunos presentes, sobre os conceitos de direita e esquerda após a queda do Muro de Berlim. 

    Mais de 20 anos se passaram de lá pra cá. A configuração do mundo mudou. A bipolaridade LestexOeste – ComunismoxCapitalismo deu lugar a um mundo multipolar. Uma nova realidade, com novos conceitos. Fica o espaço, por enquanto, para a sua opinião.

    Postado em 1 de setembro de 2010
  • 31.ago.2010

    A hegemonia do PT? Ou a apatia da oposição?

    Eleições 2010

    Atualmente o que acontece no Brasil não é um fenômeno de um partido que atinge as massas, mas antes um fenômeno personalista. O que estamos vendo em nossa conjuntura política não é a dominação do petismo, mas sim do lulismo. O Lula hoje, se apoiar um poste, o poste vence as eleições. A alta aprovação que o atual Presidente tem é facilmente  transferida aos candidatos que ele apóia nos vários cargos da futura estrutura de poder que teremos entre 2011-2014.

    O lulismo é um fenômeno tão forte, que talvez o próximo passo para o PT seja trazer, para junto de si a oposição – que vai ficando aos frangalhos. Algumas alas do próprio PSDB já se entregaram à onda petista – fruto do lulismo – que está varrendo o país. Resta saber se a oposição vai se engajar para mudar esse quadro, ou vai esperar mais 4, ou 8, ou 12 anos, enfim… A oposição pode virar um uísque 12 anos, envelhecida, no canto da estante… Ou pode haver nela o despertar de um dragão. Na minha opinião, ela está adormecida. A inteligência que envolve a oposição no Brasil hoje está tão mal apresentada, que é como se um dos melhores produtos estivesse na prateleira mais inferior do supermercado – naquela em que ninguém vê. Propagandas funestas, envoltas por um ar nada encorajador: é isso que a oposição apresenta hoje. Os marqueteiros petistas, os melhores sem dúvida do Brasil hoje, entendem muito bem quando Schumpeter diz que a democracia é como a disputa de mercado. O candidato é um produto. O eleitor, o consumidor que vai efetuar sua escolha, não com uma compra, mas com o voto. Parabéns para os marqueteiros do PT, que entenderam isso. A oposição segue às escuras, com seus candidatos nas últimas prateleiras e longe das primeiras posições nas pesquisas. Anastasia, diferentemente, tem investido em marketing político e está bem assessorado pela vanguardista turma do chapéu.

    Vamos aguardar para ver até onde vai o projeto de hegemonia petista, até onde a oposição vai reagir e quantos vão se entregar. O projeto de hegemonia petista está em andamento a toque de caixa. Só NÃO espero que, no futuro, como naquela velha história, a oposição toda se entregue e “o último que sair, apague a luz”…

    Postado em 31 de agosto de 2010
  • 31.ago.2010

    Olá!

    Olá a todos!

    O objetivo deste site é ser um veículo de informação interessante e dinâmico para você que se interessa, ainda que minimamente, por política.

    Um bom artigo é aquele que te ajuda a pensar e lhe dá ferramentas para melhor entender alguns fragmentos da sua realidade.

    Seguindo a idéia de dinamismo que envolve o nosso tempo, tentarei dizer muito com poucas palavras.

    Espero aproximar-lhe do mundo político de forma clara e objetiva, através da lente da Ciência Política, porém sem usar uma linguagem acadêmica.

    A partir de hoje estarei postando artigos.

    Qualquer comentário será muito bem-vindo e ouvido. Ficarei feliz com sua interação!

    Postado em 31 de agosto de 2010
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